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O osso na RM e a técnica Fracture

15.12.23 | Estudo de Caso ou Education | Tempo de leitura aproximado:

O osso na RM e a técnica Fracture

Estamos observando cada vez mais postagens com pessoas interessadas em avaliar o osso em RM. Em dezembro de 2018 publicamos um artigo intitulado “Black Bone MRI pode substituir a TC?”, onde você pode conferir mais sobre a técnica e seus princípios.

Desta vez mostraremos a técnica com o uso de uma sequência Gradiente Eco (GRE) com uso de um ângulo de desvio (flip angle) baixo, além de descrever o princípio por trás das sequências do tipo ZTE (Zero TE).

O osso na RM e a técnica Fracture

Fig. 1 - (A) Corte axial obtido por TC mostrando a região da fratura, (B) corte axial na mesma região pela técnica Black Bone, (C) reconstrução 3D por renderização de volume a partir das imagens de TC e (D) por RM.

Inovação em RM de ossos

De forma mais recente, um artigo bem interessante publicado por pesquisadores da Philips e do Scottish Rite Hospital de Dallas, Texas, circulou para muitos profissionais de RM que passaram a testar a técnica proposta e a mostrar as imagens obtidas nas suas redes sociais pelo mundo afora.

O osso na RM e a técnica Fracture

Fig. 2 - Confira o estudo aqui.

O objetivo deste estudo foi o de descrever uma técnica inovadora que fornece um melhor contraste do osso trabecular e cortical na RM. E vejam o nome desta técnica: FRACTURE! (fratura, em inglês)

Essa é a sigla para “Fast field echo Resembling A CT Using Restricted Echo-spacing” que poderia ser traduzido para: gradiente eco rápida semelhante à TC usando espaçamento entre ecos restritos (ou reduzidos).

Como é o processo?

A imagem do osso escuro (“Black Bone”) nesta técnica é diferente do UTE (ultra short TE) e ZTE (Zero TE), pois utiliza uma sequência gradiente eco rápida com ângulo de desvio otimizado, um conjunto de tempos de eco (TEs) e de tempo de repetição (TR) para reduzir o contraste entre os tecidos moles, produzindo um alto contraste entre o osso e o tecido vizinho.

O osso na RM e a técnica Fracture

Fig. 3 - Imagens de TC comparativas ao método FRACTURE.

Fonte: Johnson, Brian, et al. Skeletal Radiology, 2020. (Autorizadas pelo autor)

Desta forma, não são necessárias sequências específicas ou mesmo hardware apropriado. A sequência é adaptada de um 3D Gradiente Eco comum, disponível em todos os aparelhos de RM, exigindo alguns ajustes e uma etapa de pós-processamento após a coleta das imagens.

A sequência precisa ser ajustada para cinco ecos e todos em fase, ou seja, TEs com espaçamento de aproximadamente 4,6 ms a 1,5T ou 2,3 ms a 3,0T.

Cada eco irá gerar uma imagem e vamos precisar somar todas as imagens (todos os ecos) em uma só imagem (imagem soma). Da imagem soma, teremos que subtrair a imagem do último eco e ter, assim, uma imagem final que ainda precisará ter sua escala de cinza invertida para ficar muito parecida com uma imagem de TC.

O osso na RM e a técnica FractureO osso na RM e a técnica Fracture

Fig. 4 - As etapas em detalhes.

O tecnólogo Jean Miranda realizou alguns testes e está ajustando o protocolo FRACTURE. Veja abaixo um vídeo com os resultados que ele obteve:

Abrir Vídeo

Não deixe de ler no link abaixo o nosso post sobre uma outra técnica criada pela empresa MRIGUIDANCE, baseada em Deep Learning para gerar imagens do osso a partir de imagens convencionais de RM. Mas essa já é uma outra história que abordaremos em um momento oportuno.

Bons exames!!

Referências

Johnson, Brian, et al. “Fast Field Echo Resembling a CT Using Restricted Echo-Spacing (FRACTURE): a Novel MRI Technique with Superior Bone Contrast.” Skeletal Radiology, 2020, doi:10.1007/s00256-020-03659-7.

Kralik SF, Supakul N, Wu IC, Delso G, Radhakrishnan R, Ho CY, Eley KA. Neuroradiology.Nov 7. 2018;

Eley KA,McIntyre AG,Watt-Smith SR, Golding SJ (2012) Black bone MRI: a partial flip angle technique for radiation reduction in craniofacial imaging. Br J Radiol 85(1011):272–278;

Weiger M., Pruessmann K.P. eMagRes, 2012, Vol 1: 311–322;

P. Lauterbur, Nature, 1973, 242, 190;